O que para muitos é um simples trajeto pelo centro de Formosa pode se transformar em uma verdadeira prova de obstáculos para quem depende de uma cadeira de rodas.
O Portal Lupa e Terra FM percorreu parte do centro da cidade ao lado de Flávio, cadeirante desde 2006. O trajeto começou na Praça da Prefeitura e seguiu por ruas da região central. Desta vez, a repórter Evelin Rô deixou os próprios passos de lado e realizou o percurso em uma cadeira de rodas.
Durante o caminho, Flávio mostrou, na prática, algumas das dificuldades que fazem parte da sua rotina. Calçadas irregulares, desníveis, obstáculos e trechos sem condições adequadas de acessibilidade fizeram com que, em determinados momentos, os dois precisassem seguir pela própria rua, dividindo espaço com os veículos.
Flávio também explicou durante o percurso o que poderia ser diferente e apontou situações que dificultam a autonomia e a segurança de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Em um dos momentos mais marcantes da experiência, a própria repórter precisou da ajuda de Flávio para conseguir superar um dos obstáculos encontrados.
A experiência levanta uma reflexão importante: incentivar o esporte adaptado, promover atividades inclusivas e criar espaços destinados às pessoas com deficiência são iniciativas importantes. Mas a inclusão não pode existir somente dentro desses espaços.
E até chegar lá?
Como uma pessoa que utiliza cadeira de rodas chega à quadra, ao trabalho, ao comércio, à escola ou a um serviço público se encontra barreiras durante o próprio trajeto?
Acessibilidade também está na calçada, nas rampas, nas travessias e na possibilidade de circular pela cidade com segurança e autonomia.
Para quem realizou o desafio, foram apenas alguns minutos em uma cadeira de rodas. Para Flávio e tantas outras pessoas, essa é uma realidade diária.
Inclusão não começa quando o cadeirante entra na quadra. Inclusão começa no caminho até ela.
A situação chama a atenção do poder público para a necessidade de olhar não apenas para ações de inclusão, mas também para as condições de mobilidade oferecidas nas ruas e calçadas da cidade.
Porque participar é importante. Mas, antes de participar, é preciso conseguir chegar.
Confira a matéria completa:
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Por: Evelin Rodrigues, Marcos Fellype.