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Caso de agressão em posto ganha nova versão após segundo registro policial em Formosa

Por: Evelin Rodrigues.

Atual companheira procurou a reportagem após repercussão do caso e apresentou registro policial, fotografias, documentos e áudios; versões divergem principalmente sobre a participação do ex-marido na confusão

O caso de uma briga registrada na noite de segunda-feira (31), em um posto de combustíveis na saída de Formosa para Planaltina de Goiás, ganhou novos desdobramentos após uma das envolvidas procurar a reportagem e apresentar uma segunda versão sobre o ocorrido.

As primeiras informações chegaram à imprensa por meio de um relato de ocorrência encaminhado pela Polícia Militar. Segundo o registro do atendimento, uma mulher de 31 anos relatou aos policiais que havia combinado de encontrar o ex-marido, de 30 anos, no posto para buscar a filha, que havia passado o fim de semana sob os cuidados do pai.

De acordo com a versão apresentada por ela à equipe policial, ao chegar ao local, em determinado momento, a atual companheira do ex-marido teria descido do veículo e iniciado agressões contra ela. A situação evoluiu para uma briga entre as duas mulheres.

Ainda conforme o primeiro relato, o ex-marido teria interferido na confusão e passado a agredi-la com socos e puxões. A mulher afirmou que um dos golpes teria provocado uma lesão na região da boca.

Ela foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada para atendimento médico.

Quando a Polícia Militar chegou ao local, as demais pessoas envolvidas já haviam deixado o posto. Segundo as informações encaminhadas pela corporação, foram realizadas diligências para localizar o ex-marido, mas ele não havia sido encontrado até o encerramento daquela ocorrência.

Atual companheira contesta parte do primeiro relato

Após a repercussão do caso, a atual companheira do homem procurou a reportagem para apresentar sua versão e contestar, principalmente, a afirmação de que o marido teria agredido fisicamente a ex-companheira.

Ela confirma que houve confronto físico entre ela e a outra mulher, mas sustenta que o marido não participou das agressões.

Segundo a versão apresentada à reportagem, durante a briga, o homem teria segurado a ex-companheira enquanto outra pessoa presente teria segurado a atual, com o objetivo de separar as duas.

Ela também afirma que os conflitos entre as partes seriam anteriores ao episódio ocorrido no posto.

À reportagem, a mulher apresentou fotografias de ferimentos que afirma ter sofrido durante o confronto, imagens de um veículo danificado, documentos relacionados ao atendimento policial e áudios que atribui à ex-companheira do marido.

Áudios mostram conflito anterior

Entre os materiais encaminhados estão gravações que, segundo a atual companheira, teriam sido enviadas anteriormente pela outra envolvida.

Nos áudios ouvidos pela reportagem, há xingamentos e discussões envolvendo questões familiares. Em um dos trechos apresentados, uma voz atribuída à ex-companheira afirma: “o que é seu está guardado” e, posteriormente, “cuidado quando você for atravessar a rua”.

A atual companheira afirma ter interpretado as declarações como ameaças.

A reportagem optou por não divulgar integralmente as gravações por elas também conterem referências a questões íntimas e familiares que não são necessárias para a compreensão do fato.

Os áudios ajudam a demonstrar a existência de um conflito anterior entre as partes, mas, isoladamente, não permitem determinar quem iniciou as agressões físicas ocorridas posteriormente no posto nem estabelecer a responsabilidade de cada envolvido.

Segundo registro policial apresenta narrativa diferente

A reportagem também teve acesso a um segundo Registro de Atendimento Integrado (RAI), formalizado na Polícia Civil ainda na noite de 31 de agosto, após a confusão.

Nesse documento, a narrativa apresentada pelo marido relata que ele estava acompanhado da atual companheira no posto quando a ex-companheira chegou ao local para buscar a filha.

Segundo o registro, em determinado momento, as duas mulheres iniciaram uma discussão que evoluiu para agressões físicas entre ambas.

O documento relata ainda que, durante o desentendimento, a ex-companheira teria quebrado o vidro do veículo utilizado pelo homem. Na sequência, a atual companheira também teria quebrado o vidro do veículo pertencente à outra mulher.

Nesse segundo registro apresentado à reportagem, não consta relato de que o homem tenha agredido fisicamente a ex-companheira.

O documento relacionado à ocorrência registra a atual companheira como vítima e a ex-companheira como autora em relação à tipificação de lesão corporal apresentada naquele atendimento.

Isso representa uma diferença relevante em relação à primeira versão relatada à Polícia Militar, na qual a mulher afirmou ter sido agredida tanto pela atual companheira quanto pelo próprio ex-marido.

Atual companheira também foi encaminhada para avaliação

Além do registro policial, a reportagem teve acesso a documento da Polícia Científica de Goiás relacionado à solicitação de avaliação médico-legal da atual companheira.

Ela também apresentou fotografias nas quais aparecem ferimentos em uma das mãos e outras marcas que afirma terem sido provocadas durante a briga.

A existência da solicitação confirma o encaminhamento para avaliação médico-legal, mas não deve ser confundida com uma conclusão pericial sobre a autoria ou a dinâmica das lesões.

As fotografias divulgadas pela reportagem também são apresentadas como material fornecido por uma das partes e não permitem, sozinhas, determinar como cada ferimento foi provocado.

Danos em veículos também fazem parte da ocorrência

Os danos aos veículos aparecem nas duas versões.

No primeiro relato encaminhado pela Polícia Militar, a mulher afirmou que desferiu um soco contra o veículo do ex-marido e que, posteriormente, ele teria atingido o veículo dela, causando danos no vidro traseiro.

Já no segundo registro apresentado à reportagem, consta uma dinâmica diferente: a ex-companheira teria quebrado o vidro do veículo utilizado pelo homem e a atual companheira teria, posteriormente, quebrado o vidro do automóvel da ex.

A atual companheira apresentou à reportagem imagens de um dos veículos com o vidro danificado.

Ponto central das versões é a participação do homem

Os materiais aos quais a reportagem teve acesso mostram que existem versões divergentes sobre a dinâmica da ocorrência, principalmente sobre a atuação do ex-marido durante a briga.

De um lado, a mulher atendida inicialmente afirmou à Polícia Militar que foi agredida pela atual companheira e também pelo ex-marido.

Do outro, a atual companheira admite que houve confronto físico entre as duas mulheres, mas afirma que o homem não agrediu a ex e teria apenas interferido para separar a briga. O segundo registro apresentado à reportagem também não atribui agressões físicas a ele na narrativa registrada.

Há ainda informações divergentes relacionadas a medidas protetivas. No primeiro atendimento, segundo o relato encaminhado pela PM, a mulher informou que já havia possuído medida protetiva anteriormente, mas que ela não estaria mais vigente. A atual companheira, por sua vez, afirmou à reportagem que existem medidas envolvendo os ex-companheiros.

A reportagem não teve acesso, entre os documentos apresentados até o momento, a elementos suficientes para estabelecer de forma independente a situação atual dessas medidas.

A existência de um segundo registro policial não invalida automaticamente o primeiro relato, assim como o primeiro atendimento policial não representa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.

Registros policiais documentam informações e versões apresentadas às autoridades em determinado momento. A definição sobre a dinâmica do episódio e eventuais responsabilidades depende da apuração dos órgãos competentes, que poderá considerar depoimentos, exames periciais, testemunhas, imagens, áudios e outros elementos.

Por esse motivo, o Portal Lupa não atribui, neste momento, responsabilidade definitiva a nenhuma das partes.

O espaço permanece aberto para manifestação da outra envolvida, do ex-companheiro e das autoridades responsáveis pela apuração. A reportagem continuará acompanhando o caso e a matéria poderá ser atualizada caso surjam novas informações oficiais.

   

 

Crédito das imagens: material cedido à reportagem.

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