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Motorista é indiciado por simular relacionamento com fazendeira para ficar com herança milionária em Goiás.

Por: Evelin Rodrigues.

Segundo a Polícia Civil, o homem articulou um esquema com médico, dentista e advogada para isolar a vítima e ter acesso aos bens. A idosa, de 82 anos, morreu em 2023 após sofrer negligência médica deliberada.

 

De acordo com as investigações, o motorista simulou um relacionamento amoroso com a idosa com o objetivo de assumir o controle de seu patrimônio. O esquema, que contava com o envolvimento de um médico, um dentista e uma advogada, foi montado de forma coordenada para isolar Maria Guiomar da família e facilitar o acesso aos bens. O caso foi divulgado com exclusividade pela TV Anhanguera.

Conforme informou o delegado Alex Rodrigues, responsável pelo caso, a vítima morreu em 2023 em decorrência de negligência médica deliberada praticada pelo grupo. “A investigação revelou uma associação criminosa que atuou de forma coordenada para se apropriar do patrimônio da vítima, chegando ao extremo de contribuir para sua morte por meio de negligência médica deliberada”, declarou.

Segundo a família, o patrimônio da fazendeira era estimado em cerca de R$ 60 milhões, incluindo uma fazenda localizada em Edéia, no sul de Goiás, além de imóveis e valores em contas bancárias.

A aproximação entre o motorista e a idosa começou após uma viagem dela ao exterior, por volta de 2014. De acordo com a sobrinha da vítima, Cristina Leão, o vínculo se estreitou ainda mais durante a pandemia, quando Maria Guiomar se distanciou da família.

“Chegou a pandemia, ela se isolou em casa e, com isso, nós acreditamos que ele foi se apossando mais ainda da confiança e dos bens dela”, contou Cristina.

Conforme o delegado, o motorista passou a ter liberdade e acesso aos bens da vítima. “Ele se valeu dessa situação e teve acesso a cheques assinados pela vítima, mas sem valores preenchidos para pagar contas, cartões bancários”, explicou.

A Polícia Civil relatou que o grupo também teria usado cheques em branco e realizado transferências bancárias para desviar o dinheiro da fazendeira. Além disso, parte dos envolvidos teria contribuído para o agravamento da saúde da vítima, que precisou retirar todos os dentes — uma condição que teria acelerado sua morte.

Após o falecimento da idosa, o motorista teria procurado os familiares alegando direito à herança e chegou a solicitar ser o inventariante. “Ele queria ser o inventariante, ficar com a metade dos bens e, se a gente não aceitasse, ele iria entrar com um processo de união estável. Foi quando nós questionamos, porque isso nunca existiu”, revelou Cristina Leão.

Segundo informações da TV Anhanguera, o motorista contratou uma advogada e arranjou testemunhas para sustentar a suposta união estável, mas a polícia afirma que a relação nunca existiu. O delegado Alex Rodrigues revelou ainda que o motorista manteve, por anos, um relacionamento amoroso com outra pessoa em uma cidade do interior de Goiás, a quem presenteava frequentemente.

O irmão da vítima, Ernesto Leão, também acusou o motorista de ter afastado a família da idosa. “Ele que fez a gente afastar. Daí para frente, acho que ele não deixava ela atender o telefone mais, [porque] era ele quem atendia”, relatou.

Indiciamentos:

O inquérito foi concluído e os suspeitos foram indiciados, todos respondendo em liberdade pelos seguintes crimes:

  • Motorista (principal articulador):
    • Homicídio doloso
    • Estelionato qualificado
    • Falsidade ideológica
    • Apropriação indébita
    • Furto qualificado
    • Fraude processual
  • Médico:
    • Homicídio doloso
    • Falsidade ideológica
    • Estelionato tentado
  • Dentista:
    • Falsidade ideológica
    • Estelionato tentado
    • Fraude processual tentada
      • Advogada:
        • Falsidade ideológica
        • Estelionato tentado

Até a última atualização desta reportagem, as defesas dos investigados não haviam sido localizadas.

Fonte: G1 / TV Anhanguera

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